Programa da BHTrans e de Lacerda é perfeito para empresas de ônibus e péssimo para a população
quinta-feira, 16 de outubro de 2008A BHTrans iniciou há dois anos os estudos para criação e ampliação de vias urbanas, um projeto chamado VIURBS e orçado em mais de R$ 2 bilhões. A campanha de Marcio Lacerda chama o programa de “Corta Caminho”.
Para começo de conversa, a BHTrans não tem técnicos capazes de fazer esse tipo de planejamento. Infelizmente isso é verdade, basta ver que o plano do VIURBS foi elaborado por uma empresa e não pela BHTrans.
Mas o pior é que o tal projeto parece desconsiderar completamente o elemento humano, a população da cidade. A coisa foi feita como se a cidade fosse habitada por automóveis e não por seres humanos.
Uma coisa que essa gente não entende é que a ampliação das vias em número e largura não resolve o problema do trânsito. A ampliação da malha viária é um convite para que as pessoas comprem cada vez mais automóveis e trate de entupir as nossas ruas e avenidas. Será só uma questão de tempo e o adiamento da solução do problema do trânsito.
Além dessa falta de visão de longo prazo para o problema do trânsito, que exige investimentos em transporte de massas de alta qualidade, há o sério, muito sério, problema de não perceber que há uma disputa entre os automóveis e a população pelo espaço urbano.
Cada metro quadrado dedicado à ampliação de uma avenida ou para a abertura de uma nova é um metro quadrado a menos à disposição da população. É menos qualidade de vida para quem mora à beira dessas ruas ou avenidas. É menos espaço para lazer e habitação.
Quem puder dar uma olhada na proposta do VIURBS, em especial o mapa que mostra as intervenções planejadas, verá como esse projeto é cruel. Um exemplo. Há um conjunto habitacional em frente à UFMG, quase na entrada da universidade pela Antônio Carlos.
O VIURBS propõe construir uma passagem elevada para a entrada da UFMG, de modo que os carros usarão um viaduto em curva para entrar na UFMG. O mapa do VIURBS mostra claramente que esse viaduto passará ao lado dos prédios do conjunto residencial que mencionei. Os moradores terão carros como vizinhos de quarto. Isso é desumano, a qualidade de vida dessas pessoas vai cair para níveis insuportáveis.
O VIURBS é feito sob medida para as empresas de ônibus, pois permitirá aumentar o número de linhas e de ônibus em circulação. É discutível o seu impacto na circulação de pessoas e automóveis e o seu custo é muito alto.
Pelo preço divulgado do VIURBS pode-se construir a linha Pampulha-Savassi do metrô, uma linha subterrânea que já está projetada. Aliás, quem presta atenção ao programa de Marcio Lacerda poderá perceber que ele já tratou de reduzir a extensão dessa linha do metrô. Segundo o programa de Lacerda na TV, a linha será somente Savassi-Lagoinha, deixando de lado a extensão do metrô até a Pampulha.