Um indivíduo muito espirituoso e com uma boa competência em vídeo digital e computação gráfica nos brindou com uma excelente paródia de Matrix, tendo como pano de fundo o poder da grande imprensa nacional, personificada na rede Globo. Vale a pena assistir o vídeo:
Ele resgata um artigo de Laurindo Leal Filho na Carta Capital 71, de dezembro de 2005, que mostrou como era uma reunião de pauta do “Jornal Nacional” comandada por William Bonner:
Na leitura matinal dos jornais me deparei com matéria do Estadão sobre a vitória no congresso colombiano da proposta de mais uma reeleição para Uribe. Eufemisticamente o jornal trata o terceiro mandato como “segunda reeleição”, clara tentativa de criar confusão e amenizar a possibilidade de crítica. A votação da proposta foi eivada de vícios como compra de votos e favorecimentos a aliados de Uribe.
Segundo o jornal, que não se importa em manter um correspondente em Bogotá e usa as notícias da BBC, “a lei foi aprovada com 85 votos a favor e 4 contra, em meio a denúncias de compra de votos e de supostas irregularidades na arrecadação dos fundos para a promoção do projeto de referendo. A oposição, liderada pelo Partido Liberal, se retirou do Parlamento no momento da votação.”
A minha questão não é quanto ao processo de votação do congresso colombiano, mas com os dois critérios da grande(?) imprensa brasileira. A Venezuela legitimamente, por maioria no congresso, aprovou uma nova constituição, uma nova institucionalidade que permitiu a reeleição e a democracia direta através de plebiscitos e a possibilidade da revogação de mandatos através do voto popular. Hugo Chávez venceu várias disputas eleitorais, se não me falha a memória nove. Ele venceu eleições presidenciais, plebiscitos, referendo revogatório e seus aliados venceram as disputas com a oposição que diminui cada vez mais.
Mas, segundo a imprensa tupiniquim a Venezuela é uma ditadura, enquanto a Colômbia é um país sério. Não há uma só crítica ao militarismo de Uribe, não se fala a verdade sobre as bases militares dos EUA na Colômbia, nada se fala na construção da Colômbia para cumprir na América Latina o papel que Israel cumpre no Oriente Médio. Se há um fator de desestabilização na América Latina hoje ele é Uribe, e não Chávez, nem Correa ou Morales.
Também nenhuma palavra sobre os esquadrões da morte de Uribe, os grupos para-militares, o financiamento de Uribe pelo tráfico de drogas, o papel da CIA e do exército dos EUA no fomento à violência na Colômbia, os assassinatos de opositores. Muita mentira também sobre as FARC, sobre a guerra civil e sobre as condições de vida do povo colombiano.
É interessante ver como a imprensa brasileira não se preocupa em fazer a cobertura da América Latina por ela mesma. Os jornalões brasileiros compram essas notícias de agências internacionais, como a BBC. Compare o que o Estadão publicou com o texto da BBC:
Acabei de assistir ao Jornal da Band na TV e fiquei estarrecido com a cobertura da atualização dos índices de produtividade da terra. Após muita mobilização e luta, o MST conseguiu do governo Lula, na pessoa do presidente, o compromisso de atualização dos índices de produtividade da terra, feito inédito para efetivação da reforma agrária.
A atualização dos índices é importantíssima, pois os atuais índices acumulam quase 35 anos de defasagem. Eles foram estabelecidos com o censo agropecuário de 1975 e desde então a produtividade da agricultura brasileira aumentou tremendamente. Fruto de trabalho de institutos e empresas públicas como a Embrapa, Emater e Epamig, além de diversas universidades, a produtividade da nossa agropecuária aumentou e os índices de 1975 tornaram-se um entrave à efetivação da reforma agrária. Vale a pena ler a notícia no site do INCRA:
Posto isso, justificada a atualização dos índices, vamos então comentar o jornal da Band. Essa rede de TV pertence a uma das três famílias que formam o oligopólio da TV brasileira. Não me espantei com a parcialidade na cobertura, a não divulgação de dados ou fatos sobre o índice de produtividade ou a reforma agrária. Tampouco me espantei com as entrevistas e depoimentos que só ouviram um lado da história, os latifundiários. Não me estranha a falta de opiniões do governo e dos trabalhadores sem terra.
O que me causou profunda indignação foi o editorial, lido pelo âncora Joelmir Betting, no qual a TV oligopolista à violência no campo, chegando a praticamente clamar que os latifundiários peguem em armas contra não somente os trabalhadores sem terra mas, pasme meu caro leitor, contra o próprio presidente Lula. Infelizmente o editorial ainda não foi publicado no site da Band, mas assim que for atualizarei este artigo com a referência e o texto.
A luta de classes vai se acirrando no país. A ofensiva da imprensa contra o governo Lula volta a se apertar. Agora chegamos ao ponto em que as elites começam a clamar pela violência contra as medidas populares que o governo Lula vem tomando, por mais tímidas que sejam essas medidas que beneficiam o povo.
Precisamos estar alertas e preparados porque a tendência é o acirramento das tensões e disputas. Não está descartada a violência dessa gente.
20 de agosto de 2009, 14:30. Como era previsível, o site do Jornal da Band não traz o vídeo do editorial, somente a matéria desinformativa, parcial e preconceituosa, na qual só é mostrado um dos lados da história, o lado dos latifundiários:
26 de agosto de 2009, 14:00. Finalmente o editorial foi publicado, mas não pela Bandeirantes e sim por internautas indignados. Assista o vídeo do editorial no YouTube:
Que existe uma crise no capitalismo isso é fato. Apesar de todos os esforços da grande imprensa e da oposição em trazer a crise para dentro do Brasil, os efeitos da crise, sobre a economia real brasileira ainda não se fazem sentir na magnitude que os golpistas desejam.
A turma do “quanto pior melhor” deseja ardentemente que o desemprego aumente, que as empresas brasileiras diminuam suas exportações e que o governo Lula seja o culpado pela crise. Só não contam com a realidade que teima em contrariar seus vaticínios. Quanto mais eles falam em crise mais a economia brasileira parece robusta.
Ontem alguns portais divulgaram a excepcionalmente boa notícia de que o PIB brasileiro cresceu 6,8% no último trimestre, acima das expectativas do mercado e colocando o Brasil como o único país das 20 maiores economias a aumentar a taxa de crescimento. Durante o dia somente o Terra e o Vermelho colocaram essa manchete em destaque nas suas páginas iniciais. Os portais restantes não tiveram coragem de publicar a boa notícia.
Enquanto isso, pretensos especialistas como Miriam Leitão continuavam a pregar o fim do mundo. Veja os títulos de alguns artigos publicados por Leitão:
“Ritmo de crescimento não será mantido no 4º trimestre”
“Os lados bom e ruim do resultado do PIB”
“Para MB, revisão para cima do PIB piora o cenário futuro”
Ou seja, apesar dos excelentes números, do emprego crescente e do consumo popular, Leitão insiste num futuro negro que, para sua desgraça, teima em não se concretizar. Suas profecias até agora não tiveram nenhum nexo com a realidade. Veja o absurdo, por exemplo da “previsão” da “consultoria” MB, para quem o bom resultado é ruim! Não é á toa que lugar de Leitão é no PiG. Dá-lhe Paulo Henrique Amorim!
Voltando ao assunto da notícia do PIB. Quem publicou a notícia amarrou a sua divulgação à crise. Coisa do tipo o país cresceu, mas antes da crise… O PiG nunca admitirá que o país cresce apesar da crise.
O descolamento entre o pensamento único da grande imprensa e o sentimento popular só cresce. Veja o caso do cidadão que publicou o cartaz abaixo, divulgado pelo blog do Azenha:
Cidadão publica cartaz incitando o povo a não dar crédito aos maus agouros da grande imprensa
Assisti o debate na Record neste domingo entre Quintão e Lacerda e não gostei. Achei que os dois foram pouco incisivos e muito repetitivos. O Quintão continua com seu jeito boa gente e popularesco, enquanto Lacerda se esforçava por dizer que faz campanha limpa mas usava o tempo todo de insinuações e duplos sentidos.
O Carlos Viana, jornalista da Record, fez uma pergunta para derrubar o Quintão. Se ele tinha essa intenção eu não sei, mas cheira a armação da campanha de Lacerda. Tirando isso, o papel dos jornalistas, Carlos Viana da Record e Carlos Lindenberg do Hoje em Dia, não foi ruim.
Por fim, é revoltante ver Lacerda falar que quer uma campanha limpa e eu encontrar na minha caixa postal, todo dia, um email oficial da campanha dele com vários e vários ataques a Quintão. Os ataques são de muito baixo nível, nada de política, somente pessoais. A campanha de Lacerda é de uma desonestidade intelectual a toda prova. Afirmam querer campanha sem baixarias mas fazem exatamente ao contrário do que pregam.
O jornal (?) “Estado de Minas” tem candidato nestas eleições e faria muito bem se publicasse um editorial explicitando sua preferência por Marcio Lacerda. A hipocrisia do jornal, que deveria fazer uma cobertura isenta da campanha já que não se pronuncia oficialmente em favor de uma campanha, fica patente na forma como conduz a cobertura das campanhas de Lacerda e Quintão.
O jornal de hoje, domingo dia 19/10, é um primor de partidarismo e tendenciosidade. Em especial, a matéria de duas páginas em que compara as infâncias dos dois candidatos é demonstração da parcialidade e da falta de honestidade do jornal. Começa pelos detalhes. A página dedicada a Quintão é em preto e branco, enquanto a página dedicada a Lacerda é colorida. Veja a foto das duas páginas, lado a lado:
Este é um exemplo de como o jornal é parcial na cobertura dedicada aos candidatos Lacerda e Quintão
É claro que a parcialidade está também no texto, no conteúdo. Enquanto Lacerda é apresentado como o melhor aluna da cidade em que passou a infância, Quintão pegava recuperação todo ano. O EM tenta mostrar Quintão como um garoto mimado e Lacerda como o rapaz esforçado.
Não faço juízo sobre o conteúdo, não me interessa saber como foram as infâncias dos candidatos. Me interessam tão somente os compromissos políticos deles nestas eleições. E de uma coisa eu tenho certeza, os interesses que Lacerda representa não me interessam nem um pouco.