Arquivo da Categoria ‘Política’

Mídiatrix

domingo, 13 de setembro de 2009

Um indivíduo muito espirituoso e com uma boa competência em vídeo digital e computação gráfica nos brindou com uma excelente paródia de Matrix, tendo como pano de fundo o poder da grande imprensa nacional, personificada na rede Globo. Vale a pena assistir o vídeo:

Ele resgata um artigo de Laurindo Leal Filho na Carta Capital 71, de dezembro de 2005, que mostrou como era uma reunião de pauta do “Jornal Nacional” comandada por William Bonner:

Clique aqui para ler o artigo na CartaCapital

Revolução nacionalista?

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Alertado pelo blog do Nassif, deparei-me com um muito interessante artigo de Luiz Carlos Bresser-Pereira em que o autor defende que o povo pegue em armas para realizar a plena independência através de uma revolução nacionalista, ainda que capitalista. Já que o debate foi lançado, aproveito a deixa para dar minha opinião.

Bresser-Pereira faz referência a países em conflito, nomeadamente Afeganistão e Paquistão, nos quais a religião atua como elemento agregador da identidade nacional e potencializador da revolução nacionalista. Mas o autor ao final fecha o artigo com um parágrafo que me parece endereçado a qualquer país, inclusive o Brasil:

As nações que buscam sua autonomia podem aceitar por algum tempo que elites dependentes e corruptas associadas a interesses internacionais controlem seu Estado, mas mais cedo ou mais tarde surgirão grupos nacionalistas ou patrióticos que, para alcançarem a verdadeira independência nacional, empunharão armas e realizarão sua revolução nacional e capitalista.

Ao generalizar a possibilidade da emancipação nacional através da revolução armada para qualquer país, Bresser-Pereira abre caminho para discutirmos qual a perspectiva revolucionária no Brasil. No blog do Nassif aproveitei e fiz meu comentário a respeito, que agora amplio neste post.

O direito à insurreição foi pioneiramente consagrado em 1793 na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão do Ano I, ao instaurar o “direito à insurreição” em caso de “violação dos direitos do povo”. Constituições modernas também declararam a insurreição como um direito popular, como por exemplo a constituição portuguesa que afirma que “Portugal reconhece o direito dos povos à autodeterminação e independência (…), bem como o direito à insurreição contra todas as formas de opressão”.

Há interpretações de que a Carta das Nações Unidas, ao tratar da auto-determinação dos povos, também consagra o direito à insurreição popular. Seria essa a base do direito internacional que sustentaria, para citar um exemplo, a luta dos povos iraquiano e afegão contra os agressores e ocupantes e contra os governos fantoches.

O direito à insurreição é coisa tão arraigada em alguns povos que a burguesia européia fez questão de criminalizá-lo na constituição européia. Escaldada por dezenas de insurreições e revoluções ao longo de sua história, foi inserido um artigo na “moderna e democrática” constituição européia criminalizando o direito à insurreição, tornando-a crime punível com pena de morte. Isso mesmo, a Europa moderna, da Comunidade Européia tão cantada em verso e prosa, prevê a pena de morte para o povo descontente e insurrecto.

Mas procuremos cuidar de nosso quintal, ainda que não esqueçamos do internacionalismo. Em que pé está o Brasil? Durante a ditadura procuramos lançar vários movimentos de insurreição, todos barbaramente punidos pela ditadura assassina. Obviamente os tempos mudaram, vivemos num estado de direito com um presidente com uma trajetória à esquerda, mas não socialista.

Hoje não se percebe no horizonte de curto ou médio prazos espaço para um movimento de insurreição armada, como defendido por Bresser-Pereira, muito menos no sentido de uma revolução nacionalista burguesa. Mas parece-me que há espaço para uma revolução no Brasil.

Desde há muito que nos encontramos numa encruzilhada histórica, que vai cada vez mais se afunilando com o aprofundamento da crise geral do capitalismo e as necessidades cada vez maiores de nosso sofrido povo. É ocioso recitar as nossas necessidades de educação, saúde, emprego, desenvolvimento humano e econômico.

Em contraponto ao artigo de Bresser-Pereira, sugiro uma reflexão em torno da possibilidade da realização de uma revolução no Brasil que se pareça como a antiga etapa da revolução nacional-burguesa preconizada pelo movimento comunista até pouco menos de duas décadas. Não percebo espaço algum para a burguesia nacional, profundamente vinculada ao capital estrangeiro, num projeto de emancipação soberana do Brasil.

Eu deixo a pergunta a todos. Há burguesia nacional no Brasil hoje? Excetuando setores isolados com interesse em desenvolvimento autônomo e soberano, parece-me que a burguesia brasileira, notadamente sua liderança, está profundamente vinculada, numa espécie de sociedade na qual ela é sócia minoritária, com o capital estrangeiro e os interesses dos grandes países capitalistas. Essa burguesia brasileira acatou com muita serenidade sua inserção subordinada na divisão internacional do trabalho.

Os exportadores de matérias primas, o agronegócio, os exportadores de produtos semi-manufaturados ou de baixo valor agregado e assim por diante, são diretamente subordinados ao capital internacional. Tirando as indústrias calçadista (que também é fortemente exportadora) e a de confecções, de resto nossa produção de bens de consumo é dominada por multinacionais. Basta dar uma passada de olhos nas gôndolas dos supermercados para constatar esse domínio. Lembro também que a indústria nacional, especialmente a partir da primeira tentativa de modernização conservadora durante o curto mandato de Collor, passou por um muitíssimo sério processo de esvaziamento e desindustrialização.

Mesmo empresários brasileiros que vendem quase que exclusivamente no mercado interno tem os olhos voltados para fora. Um dos fundadores da Natura e seu presidente reside em Londres não por acaso.

O capital financeiro, que atualmente domina a grande imprensa no Brasil e parcelas importantes do estado, é fundamentalmente associado ao capital estrangeiro. Livre circulação de capitais e de mercadorias (mas não de pessoas) é um dos mantras do capital financeiro. A liberdade para aplicar seus recursos onde o lucro for maior leva o capital financeiro a ser internacionalista, ou globalizado, por natureza.

Já os setores de alta tecnologia ou são dependentes de insumos importados, por completa ausência de fornecedores nacionais como em fármacos, microeletrônica ou software, ou são voltados para a exportação, meros montadores (Embraer como caso paradigmático). De novo uma espécie de associação com o capital internacional, noutra inserção subordinada à divisão internacional do trabalho.

Pelo que percebo resta ao Brasil, como única alternativa, um poderoso programa de incentivo à produção de bens de consumo popular e de substituição de importações para bens de capital e para matérias primas, insumos e componentes para as indústrias de alta tecnologia.

Neste quadro, onde estão as forças sociais promotoras do desenvolvimento autônomo e nacionalista? Se é para promover a produção de bens de consumo popular e a substituição generalizada de importações, não percebo outra força motriz de uma revolução nacionalista brasileira senão no povo. Somente o povo brasileiro, unido em torno dessa idéia de plena realização de sua independência, pode fazer essa revolução, subordinando o pouco que resta da burguesia nacional ao seu projeto e liderando-a.

Custo a incluir a nossa classe média no rol de apoiadores de uma revolução nacionalista, dado seu deslumbramento, seu encantamento, com tudo o que é de matriz norte-americana ou européia. Louis Vuitton, BMW, Mercedes, Nokia, Miami, Paris, são esses os sonhos de consumo de grande parcela de nossa classe média. Excetuando a nova classe média, as parcelas pobres que estão ascendendo na escala social em função da pequena, mas efetiva, redistribuição de renda feita durante o atual governo, não percebo nesses estratos sociais forças que possam ajudar a sustentar uma revolução nacionalista.

Meus caros, no mundo de hoje, olhando para trás e aprendendo com os próprios erros e os erros de outros povos, não tenho como chamar essa revolução por outro nome que não seja o de socialista.

Atimética DEMoníaca: 2,5% = 0,0%. Rodrigo Maia perdeu ótima oportunidade para ficar calado.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Para o filhote do prefeito DEMo do RJ, Rodrigo Maia, o país não merece crescer, não vai continuar crescendo, o governo é mentiroso e irresponsável quando fala que não seremos afetados pela crise, o ministro Mantega é um palhaço e o Meirelles a única boa pessoa do governo Lula.

Pena para ele que a realidade insiste em negar o discurso da oposição. Ainda bem que o povo não lhe dá ouvidos. O portal Terra publicou hoje uma matéria e declarações do aprendiz de feiticeiro:

Rodrigo Maia, presidente do DEM,despreza crescimento de 6,8% do PIB

É de dar dó, se eu tivesse dó dessa gente, o desespero e o despreparo deles. Não conseguem sair da filosofia do quanto pior melhor. Essa gente destruiu o país durante os governos neo-liberais de Collor e FHC. Aliás, Collor = FHC, só mudou a graduação acadêmica do infeliz que sucedeu o corrupto na condução do desastre neo-liberal.

Veja a seguinte pérola DEMoníaca saída dos lábios de Maia: “crescer 2,5% (ao ano), como o mercado projeta hoje, é crescer zero.” Entre aspas e em itálico, pois nunca é demais destacar as besteiras ditas por essa gente. Boa aritmética a dele, 2,5% = 0,0%. Crescimento que não é crescimento.

Que o Brasil cresça somente 2,5% no próximo ano (apesar da OCDE estimar que nosso PIB terá expansão superior a 4% em 2009), ainda assim o Brasil e China serão provavelmente as duas únicas economias, entre as 20 maiores, que terão crescimento da economia em 2009. Isso é muito bom. Crescer nem que seja 2,5% em meio à maior crise do capitalismo desde 1929 é notícia muito boa. Só não é boa para a oposição neo-liberal.

Meu blog foi atacado

sábado, 25 de outubro de 2008

Até que demorou, mas finalmente meu blog foi alvo de ataques. Infelizmente meus arquivos de registro de acesso não me permitiram chegar a nenhuma conclusão, então não posso dizer de onde partiram os ataques.

Mas isso mostra como o pessoal do Lacerda joga sujo. Eu fiz minha parte, argumentei com fatos, não caluniei ninguém.

Eles poderiam ter deixado comentários, mensagens ou coisa que o valha, como houve um partidário de Lacerda que o fez. Ele escreveu um comentário para um de meus artigos e eu, democraticamente, publiquei.

O que não se pode admitir é atacar o meu blog. Mas isso já era esperado, pois trata-se da campanha do candidato que disse que queria “pisar no pescoço” de quem escreve contra ele…

Marcio Lacerda tem ficha suja

sábado, 25 de outubro de 2008

A imprensa somente divulgou às vésperas do segundo turno. mas finalmente mostrou a verdadeira situação de Marcio Lacerda. Ontem no debate da Globo Leonardo Quintão divulgou seu CPF para que a população possa consultar se há alguma coisa contra ele. Quintão desafiou Lacerda a fazer o mesmo, mas Lacerda não teve a coragem necessária.

E essa falta de coragem explica-se. A “Folha de São Paulo” divulgou (clique aqui) os problemas do CPF de Lacerda. Segundo a “Folha”, no “site da Receita Federal, quem digita o CPF de Lacerda descobre que ele não tem uma certidão negativa, mas uma “positiva com efeito de negativa”. Isto é, deve estar recorrendo de alguma multa que possa ter recebido.”

Além disso, recebi há algum tempo informações extremamente preocupantes sobre o envolvimento de Lacerda com empresas de alta tecnologia e com fundos de investimentos. Eu preferi não divulgar, mas agora, com o risco Lacerda crescendo cada vez mais, decidi colocar o texto à disposição para quem quiser ler e divulgar. Clique aqui para fazer download do texto.

Um dos motivos que me levam a divulgar esta informação é a estranheza com o fato de que Lacerda divulgou uma declaração de bens afirmando que possui uma fortuna de R$ 55 milhões. Mas na área de informática e tecnologia, a conversa é de que Lacerda teria vendido a Batik para a Lucent por cerca de US$ 360 milhões! Isso mesmo, Lacerda teria acumulado uma fortuna de mais de R$ 700 milhões pela venda de sua empresa para uma multinacional!

Essa discrepância é muito séria. Como eu não tenho como provar o valor da venda, pois foi um acordo sigiloso, cabe à Receita Federal investigar o que houve. Mas esse número de US$ 360 milhões é o que o mercado de tecnologia tem como certo, se você quiser pergunte a qualquer um da área que ele vai confirmar esse rumor. Entre os professores da área de eletrônica e telecomunicações da UFMG, por exemplo, esse valor é tido como certo.

Clique aqui para ler graves acusações contra Lacerda

Clique aqui para ler outro artigo em que Lacerda é desmascarado, desta vez pela “Folha de São Paulo”

Marcio Lacerda é um risco muito grande

sábado, 25 de outubro de 2008

Marcio Lacerda é um risco muito grande para Belo Horizonte. Não só por causa da forma como ele foi imposto pelos novos caciques políticos, mas também pelo que ele representa.

No caso da imposição por Aécio e Pimentel de um candidato laranja, desconhecido e com uma atuação complicada como empresário, é preciso julgar se Lacerda será realmente o prefeito de BH. Tudo leva a crer que ele será um marionete submetido aos interesses de Aécio e Pimentel. Nesse jogo, é importante ter em vista, por exemplo, que o projeto político de Pimentel está tão distante do projeto original de Patrus e Célio de Castro que Pimentel já teria admitido que sairá do PT no próximo ano.

Ou seja, Aécio e Pimentel estão conseguindo executar o plano de Aécio. Durante um evento do PSDB no nordeste logo depois de definida a “aliança” com Pimentel, prefeitos do PSDB que participavam do evento questionaram Aécio sobre essa “aliança”. Aécio respondeu: “Depois de vinte anos de administração do PT em Belo Horizonte eu estou tirando o PT da prefeitura, o que mais vocês querem?”

Sobre o que Lacerda representa, podemos ver isso nos planos que eles têm para BH. Primeiramente, ele é um candidato completamente submetido à lógica das empresas de ônibus. O VIURBS, ou “Corta Caminho”, nada mais é do que um programa de obras para beneficiar as empresas de ônibus e as empreiteiras.

Veja-se também o Metrô. Lacerda não tem compromisso nenhum com o Metrô. O planejamento original, com a linha subterrânea Pampulha-Savassi servindo a UFMG, foi jogado fora. Leia no programa de Lacerda que ele reduziu essa linha para Savassi-Lagoinha. Porque? Simplesmente porque eles fizeram a ampliação da Antônio Carlos e não querem fazer com que o Metrô reduza os lucros das empresas de ônibus que circulam pela Antônio Carlos, só isso.

Vote contra Lacerda, vote contra o candidato dos caciques, contra o candidato das empresas de ônibus e empreiteiras.

Clique aqui para ler outro artigo que mostra que, além do mensalão, Marcio Lacerda tem ficha suja por outros motivos.

Debate da Record no segundo turno

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Assisti o debate na Record neste domingo entre Quintão e Lacerda e não gostei. Achei que os dois foram pouco incisivos e muito repetitivos. O Quintão continua com seu jeito boa gente e popularesco, enquanto Lacerda se esforçava por dizer que faz campanha limpa mas usava o tempo todo de insinuações e duplos sentidos.
O Carlos Viana, jornalista da Record, fez uma pergunta para derrubar o Quintão. Se ele tinha essa intenção eu não sei, mas cheira a armação da campanha de Lacerda. Tirando isso, o papel dos jornalistas, Carlos Viana da Record e Carlos Lindenberg do Hoje em Dia, não foi ruim.
Por fim, é revoltante ver Lacerda falar que quer uma campanha limpa e eu encontrar na minha caixa postal, todo dia, um email oficial da campanha dele com vários e vários ataques a Quintão. Os ataques são de muito baixo nível, nada de política, somente pessoais. A campanha de Lacerda é de uma desonestidade intelectual a toda prova. Afirmam querer campanha sem baixarias mas fazem exatamente ao contrário do que pregam.

Diferença de cobertura “jornalística” do Estado de Minas

domingo, 19 de outubro de 2008

O jornal (?) “Estado de Minas” tem candidato nestas eleições e faria muito bem se publicasse um editorial explicitando sua preferência por Marcio Lacerda. A hipocrisia do jornal, que deveria fazer uma cobertura isenta da campanha já que não se pronuncia oficialmente em favor de uma campanha, fica patente na forma como conduz a cobertura das campanhas de Lacerda e Quintão.

O jornal de hoje, domingo dia 19/10, é um primor de partidarismo e tendenciosidade. Em especial, a matéria de duas páginas em que compara as infâncias dos dois candidatos é demonstração da parcialidade e da falta de honestidade do jornal. Começa pelos detalhes. A página dedicada a Quintão é em preto e branco, enquanto a página dedicada a Lacerda é colorida. Veja a foto das duas páginas, lado a lado:

 

Este é um exemplo de como o jornal é parcial na cobertura dedicada aos candidatos Lacerda e Quintão

Este é um exemplo de como o jornal é parcial na cobertura dedicada aos candidatos Lacerda e Quintão

 

É claro que a parcialidade está também no texto, no conteúdo. Enquanto Lacerda é apresentado como o melhor aluna da cidade em que passou a infância, Quintão pegava recuperação todo ano. O EM tenta mostrar Quintão como um garoto mimado e Lacerda como o rapaz esforçado.

Não faço juízo sobre o conteúdo, não me interessa saber como foram as infâncias dos candidatos. Me interessam tão somente os compromissos políticos deles nestas eleições. E de uma coisa eu tenho certeza, os interesses que Lacerda representa não me interessam nem um pouco.

Programa da BHTrans e de Lacerda é perfeito para empresas de ônibus e péssimo para a população

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A BHTrans iniciou há dois anos os estudos para criação e ampliação de vias urbanas, um projeto chamado VIURBS e orçado em mais de R$ 2 bilhões. A campanha de Marcio Lacerda chama o programa de “Corta Caminho”.

Para começo de conversa, a BHTrans não tem técnicos capazes de fazer esse tipo de planejamento. Infelizmente isso é verdade, basta ver que o plano do VIURBS foi elaborado por uma empresa e não pela BHTrans.

Mas o pior é que o tal projeto parece desconsiderar completamente o elemento humano, a população da cidade. A coisa foi feita como se a cidade fosse habitada por automóveis e não por seres humanos.

Uma coisa que essa gente não entende é que a ampliação das vias em número e largura não resolve o problema do trânsito. A ampliação da malha viária é um convite para que as pessoas comprem cada vez mais automóveis e trate de entupir as nossas ruas e avenidas. Será só uma questão de tempo e o adiamento da solução do problema do trânsito.

Além dessa falta de visão de longo prazo para o problema do trânsito, que exige investimentos em transporte de massas de alta qualidade, há o sério, muito sério, problema de não perceber que há uma disputa entre os automóveis e a população pelo espaço urbano.

Cada metro quadrado dedicado à ampliação de uma avenida ou para a abertura de uma nova é um metro quadrado a menos à disposição da população. É menos qualidade de vida para quem mora à beira dessas ruas ou avenidas. É menos espaço para lazer e habitação.

Quem puder dar uma olhada na proposta do VIURBS, em especial o mapa que mostra as intervenções planejadas, verá como esse projeto é cruel. Um exemplo. Há um conjunto habitacional em frente à UFMG, quase na entrada da universidade pela Antônio Carlos.

O VIURBS propõe construir uma passagem elevada para a entrada da UFMG, de modo que os carros usarão um viaduto em curva para entrar na UFMG. O mapa do VIURBS mostra claramente que esse viaduto passará ao lado dos prédios do conjunto residencial que mencionei. Os moradores terão carros como vizinhos de quarto. Isso é desumano, a qualidade de vida dessas pessoas vai cair para níveis insuportáveis.

O VIURBS é feito sob medida para as empresas de ônibus, pois permitirá aumentar o número de linhas e de ônibus em circulação. É discutível o seu impacto na circulação de pessoas e automóveis e o seu custo é muito alto.

Pelo preço divulgado do VIURBS pode-se construir a linha Pampulha-Savassi do metrô, uma linha subterrânea que já está projetada. Aliás, quem presta atenção ao programa de Marcio Lacerda poderá perceber que ele já tratou de reduzir a extensão dessa linha do metrô. Segundo o programa de Lacerda na TV, a linha será somente Savassi-Lagoinha, deixando de lado a extensão do metrô até a Pampulha.

Mapa do VIURBS

Mapa do VIURBS em PDF

Porque apoiar Quintão

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Hoje acontece a reunião da direção nacional do PCdoB em que será discutido o apoio a Quintão no segundo turno em Belo Horizonte. A tendência inicial é de apoio, pois os principais fatores na disputa em BH são a presidência da república em 2010 e o projeto político de Aécio.

Pessoalmente sou favorável ao apoio a Quintão, por diversas razões. Primeiramente, Lacerda representa o governo Aécio, o neoliberalismo travestido de administração moderna. Aécio é algo do que há de pior na política brasileira no momento. Ele se vale da imprensa para criar uma falsa imagem de administrador moderno e arrojado, mas não passa de uma casca vazia sustentada por uma avassaladora máquina de propaganda.

Segundo, Lacerda parece ter herdado o autoritarismo e o elitismo de Aécio. Suas declarações raivosas contra os adversários e suas observações pretensamente científicas sobre a origem da criminalidade na verdade mostram como é preconceituoso e arrogante.

Terceiro, o PCdoB participar de uma futura administração do PMDB será uma forma de assegurar um conteúdo minimamente popular e avançado para a prefeitura sob Quintão. A participação do PCdoB na prefeitura será uma forma de puxar a administração um pouco para a esquerda. Claro que temos de manter em perspectiva todas as limitações do PMDB e dos seus quadros que estão na disputa. Em especial temos de lembrar que há um investimento de Hélio Costa na disputa e as conseqüências disso.

Quarto, provavelmente o PCdoB terá mais espaço numa administração do PMDB do que tem hoje com Pimentel. Isso fará bem não só para o PCdoB mas também para a própria prefeitura, pois teremos oportunidade de colocar em prática pontos de nosso programa e dar mais visibilidade ao projeto político do Partido.