Arquivo de novembro de 2008

Primeira observação sobre a vitória de Obama

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A eleição de Barack Obama é fato muito expressivo e gerador de muitas esperanças em todo o mundo. O resultado das eleições nos EUA são a expressão do anseio pela mudança, a expressão da vontade popular de que alguma coisa mude no país mais poderoso do mundo.

É certo que precisamos analisar a vitória de Obama com muito cuidado, sem nutrir maiores esperanças, pois o establishment dos EUA dificilmente deixarão que ele tome atitudes que contrariem a secular lógica imperialista da classe dominante estadounidense. O fato de ser do partido Democrata e oposição a Bush não significa que ele vá romper com o status quo ou dar uma guinada na política externa.

Nossa esperança com relação à política externa é a grave crise por que passa o capitalismo. A máquina guerreira dos EUA é o fardo mais pesado que eles têm para carregar. O esforço de guerra, a fabricação de armamentos e a manutenção das forças armadas consomem a maior parcela do orçamento dos EUA.

Como eles terão de enfrentar a maior crise do capitalismo depois de 1929 e como Obama se elegeu com um discurso mudancista resta-nos esperar que ele reduza o déficit de seu orçamento cortando nas despesas militares, o que seria um alento e tanto para os povos do mundo.

A economia dos EUA e sua moeda, o Dólar, passam por dificuldades muito sérias. Há inclusive a perspectiva de hiper-inflação no Dólar, represada pelo fato de o Dólar ainda ser a moeda de reserva do mundo e pelas ações do FED. Para evitar a hiper-inflação Obama terá de mudar completamente a política econômica e monetária, revertendo o déficit atual e promovendo o crescimento da economia.

Em outro artigo abordarei estas questões, pois agora quero me concentrar na possibilidade real de mudança que a eleição de Obama representa. Não posso dizer que estou confiante, mas tenho esperança de que ele fará uma diferença. Não tenho nenhuma ilusão quanto ao papel do presidente dos EUA, sei muito bem das limitações às quais qualquer indivíduo que assuma aquele posto será submetido.

Mas, desde que a esperança é a última que morre, dou a Obama um voto de confiança, já que não pude dar meu voto nas eleições deste histórico 4 de novembro de 2008.