Arquivo de setembro de 2009

Mídiatrix

domingo, 13 de setembro de 2009

Um indivíduo muito espirituoso e com uma boa competência em vídeo digital e computação gráfica nos brindou com uma excelente paródia de Matrix, tendo como pano de fundo o poder da grande imprensa nacional, personificada na rede Globo. Vale a pena assistir o vídeo:

Ele resgata um artigo de Laurindo Leal Filho na Carta Capital 71, de dezembro de 2005, que mostrou como era uma reunião de pauta do “Jornal Nacional” comandada por William Bonner:

Clique aqui para ler o artigo na CartaCapital

Os interesses franceses no acordo militar são só comerciais?

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Observando o comportamento do Sarkozy, o entrosamento entre ele e Lula e os resultados das negociações de transferência de tecnologias militares, tendo a achar que os interesses franceses vão além dos comerciais. Sabemos que Sarkozy é representante legítimo da direita francesa, dizem alguns que ele é mesmo ligado à máfia corsa. Cabe então a pergunta: porquê um representante da direita neoliberal francesa ajudará uma nação em desenvolvimento a se fortalecer?

Parece que há um interesse geopolítico das elites francesas numa aliança estratégica com o Brasil, talvez até mesmo num sentido contra-hegemônico. Vivemos um momento muito interessante no cenário global, com uma redução da influência e da importância dos EUA, tanto pela crise do capitalismo quanto pela perda de autoridade nos últimos anos, consequência dos movimentos desesperados do império estadunidense no sentido de tentar evitar sua decadência.

Aproveitar o momento de fragilidade do império e montar uma aliança estratégica que lhe assegure acesso a combustíveis e matérias primas seria um movimento natural por parte da França, um objetivo de longo prazo e oportunista, no sentido de aproveitar o momento. A França, assim como os países da Europa de uma forma geral, carece de matérias primas e acesso a petróleo. O Brasil carece de tecnologia e precisa fortalecer suas forças armadas.

Juntando uma necessidade com a outra parece-me que o momento é propício para se iniciar essa parceria estratégica e o terreno é propício para isso. Decerto que nas relações internacionais sinceridade e boas intenções são coisas raras, mas, desde que façamos uma boa negociação, acho que poderemos montar uma parceria estratégica em que todos ganham, brasileiros e franceses e, de quebra, ajudamos a retirar mais uma pedra dos alicerces da hegemonia dos EUA.

Para o PiG* a reeleição de Chaves é ditadura, a de Uribe não

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Na leitura matinal dos jornais me deparei com matéria do Estadão sobre a vitória no congresso colombiano da proposta de mais uma reeleição para Uribe. Eufemisticamente o jornal trata o terceiro mandato como “segunda reeleição”, clara tentativa de criar confusão e amenizar a possibilidade de crítica. A votação da proposta foi eivada de vícios como compra de votos e favorecimentos a aliados de Uribe.

Segundo o jornal, que não se importa em manter um correspondente em Bogotá e usa as notícias da BBC, “a lei foi aprovada com 85 votos a favor e 4 contra, em meio a denúncias de compra de votos e de supostas irregularidades na arrecadação dos fundos para a promoção do projeto de referendo. A oposição, liderada pelo Partido Liberal, se retirou do Parlamento no momento da votação.”

A minha questão não é quanto ao processo de votação do congresso colombiano, mas com os dois critérios da grande(?) imprensa brasileira. A Venezuela legitimamente, por maioria no congresso, aprovou uma nova constituição, uma nova institucionalidade que permitiu a reeleição e a democracia direta através de plebiscitos e a possibilidade da revogação de mandatos através do voto popular. Hugo Chávez venceu várias disputas eleitorais, se não me falha a memória nove. Ele venceu eleições presidenciais, plebiscitos, referendo revogatório e seus aliados venceram as disputas com a oposição que diminui cada vez mais.

Mas, segundo a imprensa tupiniquim a Venezuela é uma ditadura, enquanto a Colômbia é um país sério. Não há uma só crítica ao militarismo de Uribe, não se fala a verdade sobre as bases militares dos EUA na Colômbia, nada se fala na construção da Colômbia para cumprir na América Latina o papel que Israel cumpre no Oriente Médio. Se há um fator de desestabilização na América Latina hoje ele é Uribe, e não Chávez, nem Correa ou Morales.

Também nenhuma palavra sobre os esquadrões da morte de Uribe, os grupos para-militares, o financiamento de Uribe pelo tráfico de drogas, o papel da CIA e do exército dos EUA no fomento à violência na Colômbia, os assassinatos de opositores. Muita mentira também sobre as FARC, sobre a guerra civil e sobre as condições de vida do povo colombiano.

Colômbia aprova referendo para terceiro mandato de Uribe

É interessante ver como a imprensa brasileira não se preocupa em fazer a cobertura da América Latina por ela mesma. Os jornalões brasileiros compram essas notícias de agências internacionais, como a BBC. Compare o que o Estadão publicou com o texto da BBC:

Matéria da BBC sobre a reeleição de Uribe

*PiG é o Partido da Imprensa Golpista segundo Paulo Henrique Amorim