Os interesses franceses no acordo militar são só comerciais?

Observando o comportamento do Sarkozy, o entrosamento entre ele e Lula e os resultados das negociações de transferência de tecnologias militares, tendo a achar que os interesses franceses vão além dos comerciais. Sabemos que Sarkozy é representante legítimo da direita francesa, dizem alguns que ele é mesmo ligado à máfia corsa. Cabe então a pergunta: porquê um representante da direita neoliberal francesa ajudará uma nação em desenvolvimento a se fortalecer?

Parece que há um interesse geopolítico das elites francesas numa aliança estratégica com o Brasil, talvez até mesmo num sentido contra-hegemônico. Vivemos um momento muito interessante no cenário global, com uma redução da influência e da importância dos EUA, tanto pela crise do capitalismo quanto pela perda de autoridade nos últimos anos, consequência dos movimentos desesperados do império estadunidense no sentido de tentar evitar sua decadência.

Aproveitar o momento de fragilidade do império e montar uma aliança estratégica que lhe assegure acesso a combustíveis e matérias primas seria um movimento natural por parte da França, um objetivo de longo prazo e oportunista, no sentido de aproveitar o momento. A França, assim como os países da Europa de uma forma geral, carece de matérias primas e acesso a petróleo. O Brasil carece de tecnologia e precisa fortalecer suas forças armadas.

Juntando uma necessidade com a outra parece-me que o momento é propício para se iniciar essa parceria estratégica e o terreno é propício para isso. Decerto que nas relações internacionais sinceridade e boas intenções são coisas raras, mas, desde que façamos uma boa negociação, acho que poderemos montar uma parceria estratégica em que todos ganham, brasileiros e franceses e, de quebra, ajudamos a retirar mais uma pedra dos alicerces da hegemonia dos EUA.

Um comentário para “Os interesses franceses no acordo militar são só comerciais?”

  1. julio filipe disse:

    Acertada reflexão. Aliás, no quadro actual de confronto na América Latina, entre os que se vergam e submetem aos ditames do imperialismo e os que se rebelam e defendem a sua independência nacional, negociar armamento com os EUA é escolher o lado errado dos primeiros.
    Saudações fraternas.

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